Jo 1,39

"Vinde e vede"."

Mc 16,15

"Ide pelo mundo e pregai a Boa Nova a toda criatura...."."

Comboni

"Se eu tivesse mil vidas, as daria todas para a missão..."."

Comboni

"O primeiro amor da minha juventude foi para a África"

Papa Francisco

"A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus"

Dia da consciência negra com os estudantes africanos de Fortaleza

Por ir. Sidonie Mabunga Nsaya.


Dia 20 de novembro, no Brasil se comemora o dia da consciência negra, lembrando Zumbi dos Palmares, grande líder negro, lutador e conquistador pelo seu direito. 

Nesta ocasião, o grupo dos estudantes africanos de Fortaleza teve a oportunidade de animar a missa com danças e cantos africanos, na paróquia Nossa Senhora das Dores, no Otávio Bonfim. Nós estudantes africanos sentimos a alegria e o entusiasmo de celebrar esta festa com o povo brasileiro.  Durante a homilia, o pároco, Frei Bento (ofm), sublinhou e destacou palavras pertinentes sobre o respeito, a igualdade e a valorização de cada raça e cada cultura. "Somos todos filhos e filhas do mesmo Pai, Deus criador". 

Cada vez mais, percebe-se que a sociedade brasileira precisa dar  passos concretos e assumir compromissos para superar e aceitar  as diferenças. 

Esse momento, tão lindo e maravilhoso, permitiu, a quem participou, de perceber os inúmeros estudantes africanos que vivem em Fortaleza. Nós estudantes africanos agradecemos a Deus pela acolhida e sobretudo pela vivência fraterna desta comunidade eclesial que nos dá o espaço para expressar nossa fé.  
A todasos feliz festa de Zumbi dos Palmares. 
                                                                               
                                                                             

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Encantamento da Vida Religiosa em Fortaleza

por ir. Sidonie Mabunga Nsaya


No 19 de novembro, as (os) religiosas (os) organizaram um dia de confraternização para encerrar o ano de 2011. O tema dessa jornada foi “O Encantamento da vida religiosa”. O dia começou com uma missa linda celebrada pelos três bispos, Dom José Antônio, Dom José Luís e Dom Rosalvo, da arquidiocese de Fortaleza. Na homilia o arcebispo dom José Antônio sublinhou o sentido mais profundo da vida consagrada, apresentando como exemplo a disponibilidade de Maria em dizer seu SIM, para acolher a proposta de Deus. Por meio da resposta de Maria, a humanidade toda recebeu em dom Cristo, aquele que nos redime e salva.  Assim, a vida religiosa encontra o seu sentido mais profundo a partir da vivencia com Cristo e com a sua Palavra Divina, que alimenta a nossa fé e nos anima a testemunhá-lo neste mundo cheio de confusão. 


A  Vida Consagrada continua encantar pessoas disponíveis ao seguimento de Jesus Cristo para participar de sua a missão evangelizadora. Além de desafios, religiosas/os estão criando espaços de vida em Cristo, a partir do estilo de vida e testemunho, por isto a Vida Consagrada é importante na Igreja. Continua a ser força nova e encantamento através do entusiasmo de muitas religiosas/os. 
A celebração eucarística terminou com a festa dos 50 anos de presença das Irmãs Paulinas em Fortaleza e com a uma bela confraternização, danças e agradecimentos das irmãs que completaram cinqüenta e vinte cinco anos da vida religiosa. Foi momento lindo de  partilha, de encontro e de vivência fraterna entre as religiosas/os em Fortaleza.  


Neste dia, conseguimos louvar  e glorificar a Deus pelo do dom da vida e a presença de cada religiosa/o nesta arquidiocese de Fortaleza.

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São Paulo, Brasil: 06/11/2011: Pela retirada imediata das tropas da ONU do Haiti!

por Ir Beth C. Imperial, smc

Neste sábado dia 5 de novembro 2011, mais de 400 (quatrocentas) pessoas entre lideranças nacionais e internacionais, e militantes de várias entidades do movimento social, reuniram-se no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo em um ato continental pela retirada imediata das tropas da ONU do Haiti. A Minustah é formada por contingentes de 42 (quarenta e dois) países, que juntos totalizam mais de 12 mil soldados. O Brasil, além de dirigir as tropas tem o maior efetivo, com mais de 3 mil homens.

Nós Missionários Combonianos e Missionárias Combonianas: Ir Tiberh e Elisabeth C. Imperial, P. Vanderlei e alguns escolasticos, estivemos presentes neste ato em S. Paulo, junto com alguns representantes da Comunidade Paroquial de Sapopemba.

O evento foi organizado pelo Comitê “Defender o Haiti é defender a nós mesmos” e Assembleia Legislativa de São Paulo, com o apoio de diversas entidades, entre elas a Central Única dos Trabalhadores, representada no ato por Julio Turra, da Executiva Nacional da CUT.

Um vídeo documentário com denúncias sobre a situação do povo haitiano foi exibido antes da cerimônia. Em seguida, apresentações de grupos de rap reforçaram o coro da juventude presente: “O Haiti não precisa de soldado, soberania para o povo massacrado” e “Oh oh oh Dilma, escuta aqui, retire as tropas do Haiti”. O ato foi aberto pelo deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP), representando a ALESP. Bárbara Corrales, do Comitê, e Claudinho Silva, do setorial de Combate ao Racismo do PT-SP coordenaram a mesa.

Fignolé St Cyr, secretário da Central Autônoma dos Trabalhadores do Haiti (CATH), relatou a verdadeira situação de seu país, há sete anos ocupado pelas tropas militares da Minustah. Fignolé denunciou a brutalidade e as consequências cruéis que recaem sobre o povo haitiano com a ocupação. “São milhares de mortes, pessoas doentes, especialmente, por conta da epidemia de cólera, além de desaparecimentos e ataques permanentes”, disse. A ONU destinou US$ 854 milhões para a ocupação militar no exercício 2010/2011. Desde o início da ocupação, no final de 2010, a epidemia de cólera que assolou o país, trazida pelo contingente de soldados do Nepal, matou mais de 5 mil pessoas e contaminou 310 mil. “Sabemos que o verdadeiro caráter desta ocupação é promover a agenda política das instituições financeiras internacionais, como o FMI e o Banco Mundial. O povo haitiano quer a retirada imediata das tropas e está nas ruas exigindo isso. Por isso, para nós é muito importante contar com o apoio de entidades como as aqui presentes, dispostas a pressionar seus governos, eleitos com o voto popular, para que retirem seus soldados do Haiti e para que a ONU acabe com a Minustah de uma vez por todas”, finalizou Fignolé.


passou da hora de a ONU retirar suas tropas do Haiti”, declarou a fundadora do NAACP - movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, Colia Clark, que participa da Comissão de Inquérito sobre o Haiti. “O Haiti não precisa da ‘ajuda’ dos EUA e da ONU para se reconstruir, mas de ajuda material, técnica e de infraestrutura, necessária para que a reconstrução seja feita pelos próprios haitianos”, reforçou.

Também participaram do ato representando os movimentos internacionais, Jean-Charles Marquiset, do Partido Operário Independente da França; Nelson Guevara, do Sindicato dos Mineiros da Bolívia; Natalia, representante do Comitê pela retirada as Tropas Argentinas do Haiti; Hugo Dominguez, do Sindicato dos Metalúrgicos do Uruguai. Entre os movimentos sociais e entidades presentes no ato, lideranças e militantes da CUT, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), de entidades sindicais, do movimento negro, do hip hop, da juventude, de partidos e outras organizações populares da sociedade civil. O ato foi finalizado com a leitura de um manifesto assinado pelas entidades presentes.
Os movimentos sociais de vários países se mobilizam sempre mais em defesa do Haiti, pela dignidade e soberania de seu povo e se posicionam contra a presença da Onu no Haiti. 

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CAMPANHA MISSIONARIA 2011 “Missão na Ecologia”.


Por Ir. Loreta Dalla Stella, missionária comboniana

Ser batizado é trazer como marca o espírito missionário. O Concilio Vaticano II afirma: “Toda a Igreja é missionária e a obra da evangelização é um dever fundamental do povo de Deus” (AG 35). Outubro é o mês que a Igreja reservou sobretudo às missões. A Igreja quer que nossas atenções e preocupações sejam voltadas para o mundo inteiro, para os dois terços da humanidade que ainda não tiveram a alegria de encontra-se com Cristo.

O Papa Bento XVI, na sua mensagem para o Dia Mundial das Missões, que será celebrado em todo o mundo no dia 23 de outubro, lembra com muita força que: “Todos os povos são destinatários do anuncio do Evangelho... Não podemos permanecer tranqüilos, sabendo que, depois de dois mil anos, ainda existem povos que não conhecem Cristo e não ouviram sua Palavra de Salvação. O Evangelho não é um bem exclusivo de quem o recebeu, mas é um dom a partilhar, uma boa noticia a comunicar”.
No Brasil a temática da Campanha Missionária (CM), que é promovida pelas Pontifícias Obras Missionárias, costuma seguir o tema da Campanha da Fraternidade, dando-lhe um enfoque universal. Como a CF-2011 abordou o tema “Fraternidade e a Vida no Planeta”, a CM vai trabalhar o tema “Missão na Ecologia”, com o lema “A misericórdia de Deus é para todo ser vivo (Eclo 18,22b)”; com o objetivo de continuar com a conscientização ecológica alargando os horizontes para todo o mundo.
O mundo é casa de todos e não podemos ficar indiferentes a tanta destruição e violência cometida contra a Mãe Terra e muitos de seus filhos e filhas. O mundo é nossa paróquia e as gerações futuras dependerão da nossa resposta para que o mesmo continue sendo respeitado.
Para ajudar na reflexão do tema, as Pontifícias Obras Missionárias produzem e já enviaram em todas as dioceses e paróquias subsídios como DVD, cartazes, folhetos dominicais que servem de suporte para as orações dos fieis nas Missas e novena missionária com a mensagem do papa Bento XVI para o Dia mundial das Missões.
Todo este material é bom que seja conhecido, trabalhado, nas pastorais, grupos, celebrações das nossas comunidades, da nossa paróquia, para fortalecer a nossa consciência missionária, o nosso ser discípulos missionários de Jesus Cristo.
A Coleta do Dia Mundial das Missões (22 e 23 de outubro), feita em todas as comunidades, paróquias do mundo inteiro é integralmente enviada para o Fundo Mundial de Solidariedade para projetos da Igreja Católica em territórios de Missão, como a sustentação de diocese, abertura e manutenção de seminários, financiamento de obras sócias, assistência aos missionários em todo mundo.
A missão é feita: Com os pés dos que partem... Com os joelhos dos que rezam... E as mãos dos que ajudam.
O mês de Outubro nos leva a refletir de maneira mais intensa que nossa vocação missionária comboniana traz em si a responsabilidade de também sermos animadores da missão universal da Igreja. Nesta caminhada é incentivo para nós a pessoa de Comboni, celebrado no dia 10 de outubro e que durante sua vida percorreu milhares de quilômetros falando a todos sobre a sua grande paixão: a África e seus filhos e filhas. Pedia pessoas, recursos e cruzes.

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A OUSADIA DE UMA MULHER QUE FAZ A DIFERENÇA

por ir. Nilma do Carmo de Jesus



Deus me enviou para realizar com você uma missão que assombrará todos... Esta tua serva é piedosa e serve ao Deus do céu dia e noite” (Judite 11,16-17).
A profetisa Judite é modelo para nós ainda nos dias de hoje. Mesmo depois de muitos séculos, o seu exemplo de coragem, ousadia, resistência e determinação em libertar o seu povo da opressão de Nabucodonosor, rei da Babilônia, é sinal da presença de Deus conosco. Deus age na história por meio de uma mulher inteligente, corajosa e solidária com o seu povo. Em Bangui, capital da República Centroafricana, encontramos a senhora Thérèse Gbebri, mulher de Deus, com fé enraizada na realidade, e atenta ao choro de tantas mulheres e crianças que sofrem o peso da discriminação cultural numa sociedade patriarcal.
Thérèse possui formação acadêmica em Direito e Gestão Administrativa. Ela sabe entrelaçar a sua formação intelectual com a dimensão cultural, social e eclesial do seu país. É co-fundadora da “Associação de Mulheres Juristas da República Centroafricana” (AFJC).
Esta Associação foi criada em 1992 e visa: conscientizar as mulheres e as famílias sobre seus direitos e deveres; ajudar as mulheres nos processos judiciais; catalogar e difundir todos os documentos em favor da mulher e da família.
A senhora Thérèse tem profunda consciência da importância do trabalho que está realizando como Associação, e diz: “se quisermos falar da mulher centroafricana temos que considerar dois aspectos: o peso sócio-cultural (usos, costumes, tradições e atitudes étnicas) que recai, sobretudo, sobre a mulher da área rural e o avanço tecnológico rápido e desastroso para a cultura do nosso país, que atinge as mulheres da área urbana. É urgente e inadiável a educação das meninas, pois só por meio de uma educação de qualidade, as mulheres poderão assumir o espaço que lhes cabe nesta sociedade. É um espaço que nós temos que lutar para conquistá-lo. A nossa dignidade vem de Deus e temos que fazer tudo para mantê-la.”
Eis o testemunho desafiador dessa mulher que se deixa guiar pelo Deus da história. Thérèse se coloca a serviço de quem mais precisa com a ousadia de quem sabe gerar vida, olhando para além do horizonte, dinamizando a cultura, para que as famílias vivam na liberdade de filhos e filhas de Deus Pai-Mãe. É a ousadia de uma mulher que faz a diferença no contexto eclesial, social e cultural da República Centroafricana.

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Olá Gente boa!

De Renato Gomes, Juventude Comboniana de Sapopemba são paulo
Agora aqui  em Madri – Espanha esta 8 da noite, do dia  18 de agosto 2011.
Gente, que experiência maravilhosa participar de um evento como este (Dia Mundial da Juventude). São milhões de jovens de 170 países espalhados pelo Estado da Espanha, carregam consigo suas bandeiras, entoam seus hinos, sem contar que está cidade ajuda a compor o Cenário Perfeito Madri é linda, A Jornada iniciou oficialmente dia 16 com uma missa presidida pelo Bispo de Madri, foi muito emocionante, fizeram uma homenagem a João Paulo II que  foi o grande criador desta Jornada.
Acordamos pela Manhã, tomamos Café, e temos um momento de catequese em algum ponto da cidade.
Hoje tive com o Bispo de Moçambique,a catequese são divididas por grupos lingüísticos. Ao meio dia chegou em Madri o Papa Bento XVI, o meu Deus outro momento forte pois todos os jovens gritavam por seu nome, cada um em sua língua de sua forma, junto a isso, tocavam os sinos das igrejas de toda a cidade.
A tarde fui ao show da Banda Rosas de Saron. E aqui estou a caminho da Praça Cibelles ao encontro do Papa.
Até logo com mais noticias

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Juventude Comboniana e romaria da Juventude


Ir. Edilsa Da Silva, missionária Comboniana
É madrugada! São exatamente 3hrs e 30 do domingo, 7 de agosto! Aos poucos os jovens começam a chegar à frente da nossa casa para esperar o ônibus que em meia hora parte rumo a 17ª. Romaria da Juventude do Estado de São Paulo. Desde as três, estamos de pé para acolhê-los.
Os jovens de que falo são a juventude Comboniana, grupo que assumiu a espiritualidade de Comboni como meio para guiá-los a Cristo. Com suas mochilas, violão e muita animação, partem da capital paulista para Araras a mais ou menos três horas de distância.
Neste ano, a romaria traz como tema “MARIA, MULHER QUE GERA VIDA E LIBERTAÇÃO” e o lema: “JUVENTUDE, VIDA GERADA NO SEIO DA TERRA”. Assim, fomos  acolhidos no local pela Mãe Maria, depois de uma viagem agradável.
Mas, e o sono? Foi espantado pelos cantos de romaria, orações e todo o entusiasmo juvenil que estava presente não apenas pela viagem, mas era sim, o de jovens que vivem numa periferia de grande cidade e que estão engajados em trabalhos sociais, lutam para terminarem suas faculdades. Ainda que morem num lugar desafiador, pela distância dos grandes centros, pela violência e pelo abandono das autoridades carregam em alegria e vontade de vencer. Dessa forma aos poucos o ginásio vai ganhando um novo colorido, um colorido jovem, de rostos, bandeiras e sorrisos. Tudo transcorre sob o olhar amoroso da Mãe aparecida, geradora de vida e libertação.
Após a missa, onde os jovens expressaram os seus sonhos e desafios, chega a vez dar um novo colorido ás ruas daquela cidade. Sob um sol de 32 graus a juventude saiu em caminhada por Araras cantando, dançando, celebrando, denunciando e proclamando a esperança num futuro melhor.

Ao fim do dia, cansados, mas felizes, é chegada a hora de retornar. Partimos de novo, certos de que o Deus da Vida continua a caminhar conosco e que São Daniel Comboni continua a fazer “causa comum” com cada um de nós.

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Mensagem de dom Pedro Casaldáliga

 "Meu Senhor......Ajuda-me a dizer a verdade diante dos fortes e a não dizer mentiras para ganhar o aplauso do débeis..."
(Mahatma Gandhi)

Transcrição livre da mensagem de dom Pedro Casaldáliga ao final da celebração de 17 de julho de 2011, na Romaria dos Mártires da Caminhada, cidade de Ribeirão Cascalheira, MT, Prelazia de São Félix do Araguaia.

"Possivelmente seja essa, para mim, a última romaria pé no chão. A outra já seria contando estrelas no seio do Pai. De todo modo, seja a última seja a penúltima, eu quero dar uns conselhos. Velho caduco tem direito de dar conselhos...

E a memória dos mártires, o sangue dos mártires, mais do que um conselho, [é] compromisso que conjuntamente assumimos, ou reassumimos. São Paulo, depois de tantos dogmas que anuncia, tantas brigas teológicas, tantas intrigas por cultura, dá um conselho único: 'o que eu peço de vocês [é] que não esqueçam dos pobres; o que eu peço de vocês [é] que não esqueçam a opção pelos pobres, essencial ao Evangelho, à Igreja de Jesus'. A opção pelos pobres. E esses pobres se concretizam nos povos indígenas, no povo negro, na mulher marginalizada, nos sem-terra, nos prisioneiros..., nos muitos filhos e filhas de Deus proibidos de viver com dignidade e com liberdade.

Eu peço também para vocês que não esqueçam do sangue dos mártires. Tem gente, na própria Igreja, que acha que chega de falar de mártires. O dia que chegar de falar de mártires deveríamos apagar o Novo Testamento, fechar o rosto de Jesus. 
Assumam a Romaria dos Mártires, multipliquem a Romaria dos Mártires, sempre, recordemos bem, assumindo as causas dos mártires. Pelas causas pelas quais morreram, nós vamos dedicar, vamos doar, e se for preciso morrer, a nossa própria vida também... 

E ainda uma palavra: há muita amargura, há muita decepção, há muito cansaço... Isso é heresia! Isso é pecado! Nós somos o povo da esperança, o povo da Páscoa. O outro mundo possível somos nós! A outra Igreja possível somos nós! Devemos fazer questão de vivermos todos cutucando, agitando, comprometendo. Como se cada um de nós fosse uma célula-mãe espalhando vida, provocando vida.

A Igreja da libertação está viva ressuscitada porque é a Igreja de Jesus. A teologia da libertação, a espiritualidade da libertação, a liturgia da libertação, a vida eclesial da libertação não é nada de fora, é algo mui de dentro, do próprio mistério pascal, que é o mistério da vida de Jesus, que é o mistério das nossas vidas.

Para todos vocês, todas vocês, um abraço imenso, de muito carinho, de muita ternura, de um grito de esperança, esse cantar viva a esperança que seja uma razão... Podem nos tirar tudo, menos a via da esperança. Vamos repetir: 'Podem nos tirar tudo, menos a via da esperança!'.

Um grande abraço para vocês, para as suas comunidades, e a caminhada continua! Amém, Axé, Awere, Saúde, Aleluia!"

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Encontro Vocacional Comboniano em São Mateus, ES

“O que buscais?” 
Responderam-lhe: “Rabi - que quer dizer Mestre - onde moras?” 
Disse-lhes Ele: “Vinde e vede?”
(João, 1, 37)

Querida Jovem,
Ao longo da história da Salvação muitos jovens como João, Andre, Tiago e Pedro a partir desta pergunta, encontraram no Mestre o sentido e a razão da própria vida. Uma pergunta simples que demonstra o desejo profundo de conhecer o projeto de Deus para cada um. “Vinde e vede” é também o convite que fazemos à você, para conhecer melhor a missão de Jesus Cristo no carisma de São Daniel Comboni. Ainda jovem Daniel sentiu o apelo de dedicar a sua vida na evangelização do povo africano. E por esta causa viveu e morreu. Animadas pelo mesmo ideal, nós Irmãs Combonianas aceitamos o convite de Jesus para deixar tudo e segui-lo nesta família missionária. Também hoje a Igreja e o mundo necessitam de jovens alegres, simples e criativas para dar continuidade à missão de Jesus e de Comboni. Quem sabe este caminho não pode ser o seu?  As Irmãs Missionárias Combonianas de São Mateus estão realizando um encontro vocacional para jovens que desejam conhecer melhor a vida missionária comboniana. Este será no dia 16 de outubro, São Mateus, na comunidade das Irmãs. Pedimos que você traga a Bíblia, um caderno e caneta. Para confirmar a sua presença entre em contato com Ir. Janete no telefone: 3763-5311 ou e.mail Janete_san@yahoo.com.br

Um abraço fraterno. Ir. Janete Santos de Castro. Missionária Comboniana.

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Entrevista com ir. Luzia Premoli

por ir. Daniela Maccari

Querida Luzia,
em sua posição atual de Madre Geral da Congregação das Irmãs Missionárias Combonianas, tem uma visão mais ampla ...
 
Daniela: Onde a missão comboniana é mais urgente?
Luzia: A espiritualidade da Comboniana está centrada no Coração Transpassado de Cristo Bom Pastor, que vai a procura da ovelha desgarrada, que conduz tudo o rebanho para que tenha vida e vida em abundância. 
Em fidelidade com este carisma, é URGENTE que a Comboniana tenha olhos e ouvidos para enxergar e ouvir onde a huminade sofre mais por sua vida estar sendo esmagada de varios tipos de escravidões. Não existe um lugar privilegiado, pois vivendo em um mundo globalizado encontramos em todos os lugares pessoas que estão morendo humanamente, culturalmente, espiritualmente por causa de um sistema que exclue. Claro que temos que considerar também os lugares geográficos, pois em lugares “desconhecidos e que não atraem o interesse dos grandes” essa mesma humanidade sofre e morre anonimamente. Penso que precisamos estar atentas com o coraçao e os olhos para ver essas urgencias.

Daniela: Onde e como a VOZ do Senhor, que chama, se escuta mais: entre quais povos e com que tipo de presença?
Luzia: Eu conheço algumas realidades mais que outras. O que posso dizer è que em todos os lugares onde as combonianas hoje trabalham tem situações nas quais se faz sentir forte a VOZ do Senhor. No entanto é preciso sensibilidade para fazer escolhas proféticas. Temos em todo o mundo um grito da juventude cuja vida e ameaçada de tantas formas. Vimos a quantidades de jovens que fogem da Africa em busca de emprego na Europa, vemos aumentar o trafico de seres humanos, sobretudo mulheres e crianças, que são transformados em mercadoria a baixo custo, vemos países nas mãos de ditadores sem escrúpulos que enriquecem apoiando-se na ignorância e no medo do povo. É urgente uma educação libertadora, iniciativas que empoderem as pessoas, mesmo em pequenas atividades e ações, e importante uma formação cristã sólida, baseada na Palavra de Deus, que é vida plena e leva a uma mudança de comportamentos e favorece o engajamento na vida publica. Enfim o Senhor continua gritando, onde seu corpo continua a via sacra da crucifixão. A comboniana é chamada a estar com Ele. Quando fez sua consagração, através dos votos, ela escolheu de ser ESPOSA, AMIGA, AMANTE DE UM HOMEM QUE DEU A VIDA E MORREU NA CRUZ. Se ela esquece isso, então perde o sentido de amar os crucificados hoje, onde seu AMADO continua morrendo.

Daniela: Quais as caracteristicas de uma Comboniana hoje, para ela SER e RESPONDER adequatamente à vocação-missão considerando as necessidades dos povos?
Luzia: Penso que ja falei, mas repito, uma mulher que hoje quer se tornar uma comboniana, deve desenvolver suas atitudes  esponsais e maternas. Deve esposar a causa de Jesus, que é a causa dos crucificados, dos pobres, dos excluídos, daqueles a quem e negada a vida. Deve ser MÃE, ou seja, colocar o outro, a outra no centro das suas atenções, deve passar do amor egocêntrico ao amor oblativo. Deve estar disposta a “participar da maternidade de Deus” que cria e faz crescer, deve estar disposta a trabalhar junto com as pessoas, a viver em comunidade com tantas irmãs diferentes, como sinal de uma humanidade regenerada que e capaz de colocar Cristo no centro e não as suas necessidades pessoais. Deve preparar do ponto de vista profissional, mas deve lembrar que isso não basta, porque “é a caridade que faz capazes as pessoas. Estudar e capacitar-se a um ministério qualificado è uma exigência para uma candidata comboniana, mas junto a isso deve ser uma apaixonada por Deus e pelo povo, mas “com o fogo da caridade, do amor e não somente com palavras” como diz Comboni. 

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INSTENSIFICANDO A PRESENÇA MISSIONÁRIA

por ir. Rita Saccol

Missão é um projeto de libertação em curso. A missão lembra o caminho percorrido por Jesus. ELE convoca cada batizado para a construção de “uma Igreja autenticamente Missionária e Pascal” (Medellín V/15). É neste sentido que, após 11 anos de presença missionária das Irmãs Combonianas na Baixa do Tubo, periferia de Salvador (BA), chegou a hora de intensificar a presença concreta de Igreja “POVO DE DEUS” com mais um sinal.

As Irmãs desenvolvem sua atividade missionária através da Creche Pe. Ezequiel Ramin, Pastoral da Criança, grupos de oração, catequese e evangelização nas casas.

Chegou a hora de intensificar nossa presença. É urgente assumirmos nossa vocação missionária e sermos mais audazes discípulos/as missionários/as de Jesus Cristo.

No domingo de Ramos, 17 de abril, foi erguida uma grande Cruz, na Baixa do Tubo, como sinal de fé, no local da futura Capela em honra a São Daniel Comboni. Todas as comunidades da Paróquia Sagrada Família estiveram presentes, para celebrar a fé que nos une. Aos pés da Cruz foi colocada uma placa com a escrita: “AS OBRAS DE DEUS NASCEM AOS PÉS DA CRUZ” (São Daniel Comboni)

Quem é Daniel Comboni? Um Bispo apaixonado pelo povo africano e pelo Reino. Um grande missionário da África Central. Ele dizia: “Só tenho uma vida para oferecer pela salvação dos africanos: gostaria de ter mil e as ofereceria todas para esse fim”.
Nasceu na Itália no dia 15 de março de 1831. Deu vida ao projeto “Salvar a África com a África”, ou seja: os Africanos protagonistas de sua própria história. Fundou a Congregação dos Padres e das Missionárias Combonianas.
Enfraquecido pelas febres e pelas cruzes, morreu em Cartum (Sudão) em 10 de outubro de 1881 com apenas 50 anos de idade. Ao morrer disse: “Eu morro, mas minha obra não morrerá”.

Seu ideal é alimentado e vivido por mulheres e homens consagrados que continuam, nos quatro continentes, na realidade de hoje o que ele iniciou.
Ao sairmos do nosso lugar, mudamos o olhar do mundo e a perspectiva da vida.
Caminhar é a forma radical de partilha, e desta caminhada, todos voltamos transfigurados e com o olhar do Senhor ressuscitado.

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Celebração de 50 anos e 25 anos de vida religiosa missionária

Na pagina "Vida Missionária" de nosso Blog, publicamos as cartas das irmãs Loreta Dalla Stella que celebra 25 anos, de Luigia Poli e Nazarena Devens que celebram 50 anos de vida religiosa missionária comboniana.

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Entrevista com a Missionária Leiga Patrícia

1) Patrícia, como surgiu o desejo de realizar esta experiência missionária na Prelazia de Humaitá?
Como fazia parte da equipe do SAV da Paróquia de São Mateus, após cada encontro que realizávamos com os jovens ficava pensando porque não eu em dizer também um sim para DEUS. Aí foi aumentando o desejo da realização de uma experiência missionária. Foi então que, conversando com a Irmã Janete, pedi para ela se haveria alguma possibilidade de eu realizar essa experiência com as combonianas, e sugeri para ir para Lima - Peru. No capítulo, em sua viagem à Itália, ela conversou com outras irmãs e na volta disse que no Peru não tinham experiência com leigos então me sugeriu Moçambique ou aqui na Diocese de Humaitá - AM. foi quando chegamos a uma opinião que por eu não ter formação e nem experiências anteriores, poderia começar aqui pelo Brasil, até mesmo como uma fase de estágio, para depois pensarmos em algo mais distante.

2) Como é a realidade do seu campo de missão?
Aqui é uma vila no sul do Amazonas, tudo ainda muito precário, estima-se 9.000 habitantes e a sua maioria migrantes do Sul do país, Mato Grosso e Rondônia, que vieram em busca de terra e condições melhores de vida. O desmatamento nessa região é intenso, com muitas madereiras e fazendas com grandes criações de gados, mas em volta temos a mata virgem com uma riquíssima diversidade natural. O trabalho que irei realizar por aqui é basicamente com os ribeirinhos, povos indígenas e pastorais. Para visitar uma comunidade do interior, dependendo temos que enfrentar horas em estradas com péssimas condições, sem asfalto e dependendo do lugar mais umas 4 a 5 horas de barco. Amanhã começo a minha visita às aldeias indígenas então nessa questão ainda não tenho muito o que falar, depois mando notícias nesse aspecto, e também os trabalhos pastorais da paróquia, como os daí mesmo: catequese, pastoral da criança, dízimo, liturgia, PJ, dentre outros.

3) Quanto tempo você vai permanecer nesta missão? Em que ela está consistindo?
Devo ficar por aqui até o mês de abril, mas pretendo prolongar mais, na realidade a vontade é de nem voltar (risos), aqui o povo é muito acolhedor e o trabalho é intenso, sinto a necessidade de poder dar o meu melhor. Está sendo uma experiência ímpar em todas as áreas da minha vida.

4) Deixe um recado para o povo da diocese de São Mateus.
A saudade é grande, agradeço a cada um que me ajudou na minha formação humana, e espero que todos dêem o seu melhor para o Reino de Deus, que também possam dar o seu sim e juntos caminharmos com dignidade.
Abraços fraternos...

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8 de Março Dia Mundial da Mulher

A comunidade de Fortaleza celebrou o dia mundial da oração da Mulher que tem como titulo: "Quantos pães vocês têm?"
Foi um momento de grande alegria, de encontro, de oração, de partilha e de agradecimento pelo dom de sermos mulheres.
Mulheres de todas as cores, de diferentes idades, UNIDAS para CELEBRAR a VIDA, para encontrar a força necessária, para continuar a CUIDAR de nós mesmas, de nossos filhos e filhas; continuando em nosso dia-a-dia na solidariedade para fazer de nós UM CANTO DE UNIDADE e pedir PÃO e PAZ para todos os povos.

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Dia mundial de Oração da Mulher - dia 4 de outubro

Quantos pães vocês tem?Todo ano, na primeira sexta-feria do mês de março, mulheres do mundo inteiro reunem-se para celebrar o dia mundial de oração da mulheres. O momento é ecumenico e cada ano preparado por mulheres de diferentes estados.
O dia mundial de oração das mulheres é uma oportunidade para nós mulheres nos conscientizarmos do que acontece no mundo e a não viverem isoladamente. É um momento de enriquecimento com experiências de fé vividas por cristãos de outros países, partilhando as cargas de outras pessoas, orando com e por elas. As mulhere são convidadas, atraves da oração a reconhecerem seus dons e talentos e usá-los em benefício da comunidade.
No DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO, as mulheres reconhecem que a Oração e a Ação são inseparáveis e que ambas têm incontestável influência no mundo.

Este ano foram as mulheres do Chile que escolheram o tema da oração: "Quantos pães temos?"

Textos de reflexão biblica para o aprofundamento do Tema proposto podem encontrá-los no seguinte endereço e-mail:
http://www.dmoracao.com.br/index.html

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A metodologia Gol.d chega à Associação Crescer Juntos!

Neste mês de fevereiro, mas precisamente no dia 08, iniciaram - se as atividades do Projeto Redes na Associação Crescer Juntos em parceria da mesma com a ONG Visão Mundial.
A Visão Mundial é uma organização cristã (presente no Brasil desde 1975) de assistência, desenvolvimento e promoção de justiça, que se dedica ao trabalho com crianças, famílias e comunidades em todo o mundo, a fim de que alcancem seu potencial por meio do combate às causas da pobreza. O foco da Visão Mundial são as crianças, mas a organização acredita que para garantir-lhes um futuro melhor é preciso criar alternativas de desenvolvimento para as famílias e para as comunidades nas quais elas estão inseridas.
A Visão Mundial e ANDE (Agência Nacional de Desenvolvimento Microempresarial) auxiliam na organização dos indivíduos em Gol.d e facilitam o acesso à educação financeira, fortalecimento do grupo, empreendedorismo, independência, e desenvolvimento transformador. Em parceria com o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento e o SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas, a Visão Mundial e a ANDE iniciaram a adaptação da metodologia indiana nos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte em janeiro de 2009, através do Projeto Redes de Desenvolvimento.
Os Gol.d – Grupos de Oportunidades Locais e Desenvolvimento – surgiram a partir da adaptação de uma metodologia indiana, chamada Self Help
Group,  para o contexto brasileiro, em conjunto com a experiência da Visão Mundial e da ANDE – Agência Nacional de Desenvolvimento Microempresarial.
O Gol.d é um grupo de 10 a 20 pessoas que se reúnem semanalmente, no intuito de discutir os problemas e dificuldades do grupo e de sua comunidade, e desenvolver o hábito de poupança. Através das reuniões os grupos buscam coletivamente soluções para os problemas de cada indivíduo e do grupo, através do apoio mútuo, da solidariedade e da troca de experiências.
O hábito de poupança permite ao Gol.d criar um fundo comum, que poderá ser usado para empréstimos entre os membros, visando a solução de problemas emergenciais e para a criação e desenvolvimento de microempreendimentos.
As mais importantes características do Gol.d são a autonomia, democracia e empoderamento dos indivíduos. Seus membros decidem o quanto poupar, a prioridade do uso deste fundo comum e as regras de funcionamento do Gol.d.
Com o apoio de parceiros locais, como associações, cooperativas, e outras organizações não governamentais, o Projeto objetiva contribuir para a erradicação da pobreza no Nordeste do Brasil. Até dezembro de 2012 o Projeto deve atingir 50.000 beneficiários diretos, promovendo a criação de empreendimentos e o desenvolvimento das comunidades, em todos os nove Estados do Nordeste e o Estado de Minas Gerais.

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Família Comboniana na Amazônia

Por Ir. Olga Estela Sánchez

Em 2006, nós Missionárias Combonianas chegamos a Santo Antônio do Matupi - Km 180 da Transamazônica, AM. No ano passado, começamos um trabalho em equipe como família comboniana, formada pelas irmãs Rosa Guzzo, Cândida Martins e Olga Sánchez; pelo padre Massimo Raimundo e pelo leigo Osmar Marcoli.

Nossa área paroquial é de 300 km. Acompanhamos muitas das realidades da Amazônia como os migrantes e colonos, que vieram em busca de terra e melhores oportunidades de vida, ribeirinhos do Rio Aripuanã e povos indígenas como Parintintim, Dihaoi, e Tenharim . As culturas são mistas, elas nos desafiam no trabalho pastoral e exigem de nós metodologias diferentes.

Os valores da partilha e organização dos povos indígenas, da paciência e contemplação dos ribeirinhos, da festa e do trabalho dos migrantes, vão construindo o Reino na nossa Paróquia Santa Luzia. Mas também enfrentamos diferentes problemáticas como a questão da terra, da exploração florestal, das drogas e prostituição infantil.

O crescimento humano é também um desafio para nós como equipe. É uma experiência rica, feita de alegrias e dificuldades, mas contamos com a ajuda de Deus, para crescermos como missionários e missionárias, e sermos cada vez mais testemunhas do Seu amor, junto aos povos que acompanhamos.

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DANDO UMA RASTEIRA NO “SEMPRE FOI ASSIM”

Por ir. Nilma do Carmo de Jesus

Neste número de “Missão é vida”, queremos falar de duas mulheres que ousaram transformar o rumo da história. Para isso, assumem papéis que vão desafiá-las e nem por isso se amedrontam, mas ao contrário, atrevem-se a enfrentar a beleza e as dificuldades do ministério que lhes foi confiado.
A primeira é Dilma Rousseff, mineira, eleita pelo povo brasileiro no dia 31 de outubro 2010 para ser a primeira presidente mulher por um mandato de quatro anos. Mulher destemida com profundas convicções. Ela faz parte das vítimas da ditadura militar, foi presa e torturada. Sem dúvida, ela saberá presidir com a firmeza de uma mulher sofrida e com o tom feminino de quem sabe educar e contribuir para o desenvolvimento do país, procurando acabar com a miséria que fere a dignidade humana.
A segunda é Aung San Suu Kyi Nyein Chan Naing, da antiga Birmânia, atual Myanmar, da cidade de Rangum, sobre uma das margens do Lago Inya. Ganhadora do prêmio Nobel da paz, libertada no dia 13 de novembro 2010, depois de sete anos de prisão domiciliar pelo regime militar de Myanmar. Mulher capaz de promover a paz, a reconciliação, a união, o diálogo e a democracia; mulher destemida sem mágoas nem rancor: “Sou pela reconciliação nacional. Sou a favor do diálogo e, qualquer que seja a minha autoridade, quero utilizá-la para esse fim”. Aung San Suu kyi quer uma revolução pacífica que leve à democracia, onde todos tenham vez e voz.
Acredito que a profetisa e juíza Débora poderá servir de fonte inspiradora para essas duas mulheres políticas, pois antecedeu o seu tempo e soube ser uma mulher política, corajosa, destemida e se definia como “Mãe de Israel”. (cf. Juízes 4,4-10), assim como Dilma e Aung San poderão ser “Mãe do Brasil, Mãe de Nyanmar”. Mulheres que sabem usar de ternura e também sabem ser firmes nas suas decisões.
Duas mulheres de dois continentes bem diferentes, mas com muita coisa em comum: o ministério da liderança. Elas têm a audácia de desmitificar o tabu “sempre foi assim”, de ir contra corrente, para mostrar à sociedade e a Igreja que o olhar de outra cultura, o jeito feminino de coordenar, presidir podem fazer a diferença. Que Dilma e Aung San Suu sejam mulheres de transformação, de presença e geradoras de vida como foi Débora. As duas estão dando uma rasteira na mesmice, para dar um novo rumo à história. A ousadia dessas duas mulheres nos impulsiona a acreditar ainda mais que o potencial que o Senhor coloca em cada uma de nós deve ser colocado a serviço da missão, de uma vida doada e acolhida no seu quotidiano.

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LIBERDADE RELIGIOSA, CAMINHO PARA A PAZ

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
BENTO XVIPARA A CELEBRAÇÃO DO
XLIV DIA MUNDIAL DA PAZ
1 DE JANEIRO DE 2011

1. NO INÍCIO DE UM ANO NOVO, desejo fazer chegar a todos e cada um os meus votos: votos de serenidade e prosperidade, mas sobretudo votos de paz. Infelizmente também o ano que encerra as portas esteve marcado pela perseguição, pela discriminação, por terríveis actos de violência e de intolerância religiosa.
Penso, em particular, na amada terra do Iraque, que, no seu caminho para a desejada estabilidade e reconciliação, continua a ser cenário de violências e atentados. Recordo as recentes tribulações da comunidade cristã, e de modo especial o vil ataque contra a catedral siro-católica de «Nossa Senhora do Perpétuo Socorro» em Bagdad, onde, no passado dia 31 de Outubro, foram assassinados dois sacerdotes e mais de cinquenta fiéis, quando se encontravam reunidos para a celebração da Santa Missa. A este ataque seguiram-se outros nos dias sucessivos, inclusive contra casas privadas, gerando medo na comunidade cristã e o desejo, por parte de muitos dos seus membros, de emigrar à procura de melhores condições de vida. Manifesto-lhes a minha solidariedade e a da Igreja inteira, sentimento que ainda recentemente teve uma concreta expressão na Assembleia Especial para o Médio Oriente do Sínodo dos Bispos, a qual encorajou as comunidades católicas no Iraque e em todo o Médio Oriente a viverem a comunhão e continuarem a oferecer um decidido testemunho de fé naquelas terras.
Agradeço vivamente aos governos que se esforçam por aliviar os sofrimentos destes irmãos em humanidade e convido os católicos a orarem pelos seus irmãos na fé que padecem violências e intolerâncias e a serem solidários com eles. Neste contexto, achei particularmente oportuno partilhar com todos vós algumas reflexões sobre a liberdade religiosa, caminho para a paz. De facto, é doloroso constatar que, em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir livremente a própria religião sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoal. Noutras regiões, há formas mais silenciosas e sofisticadas de preconceito e oposição contra os crentes e os símbolos religiosos. Os cristãos são, actualmente, o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé. Muitos suportam diariamente ofensas e vivem frequentemente em sobressalto por causa da sua procura da verdade, da sua fé em Jesus Cristo e do seu apelo sincero para que seja reconhecida a liberdade religiosa. Não se pode aceitar nada disto, porque constitui uma ofensa a Deus e à dignidade humana; além disso, é uma ameaça à segurança e à paz e impede a realização de um desenvolvimento humano autêntico e integral.[1]
De facto, na liberdade religiosa exprime-se a especificidade da pessoa humana, que, por ela, pode orientar a própria vida pessoal e social para Deus, a cuja luz se compreendem plenamente a identidade, o sentido e o fim da pessoa. Negar ou limitar arbitrariamente esta liberdade significa cultivar uma visão redutiva da pessoa humana; obscurecer a função pública da religião significa gerar uma sociedade injusta, porque esta seria desproporcionada à verdadeira natureza da pessoa; isto significa tornar impossível a afirmação de uma paz autêntica e duradoura para toda a família humana.
Por isso, exorto os homens e mulheres de boa vontade a renovarem o seu compromisso pela construção de um mundo onde todos sejam livres para professar a sua própria religião ou a sua fé e viver o seu amor a Deus com todo o coração, toda a alma e toda a mente (cf. Mt 22, 37). Este é o sentimento que inspira e guia a Mensagem para o XLIV Dia Mundial da Paz, dedicada ao tema: Liberdade religiosa, caminho para a paz.
Direito sagrado à vida e a uma vida espiritual
2. O direito à liberdade religiosa está radicado na própria dignidade da pessoa humana,[2] cuja natureza transcendente não deve ser ignorada ou negligenciada. Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 27). Por isso, toda a pessoa é titular do direito sagrado a uma vida íntegra, mesmo do ponto de vista espiritual. Sem o reconhecimento do próprio ser espiritual, sem a abertura ao transcendente, a pessoa humana retrai-se sobre si mesma, não consegue encontrar resposta para as perguntas do seu coração sobre o sentido da vida e dotar-se de valores e princípios éticos duradouros, nem consegue sequer experimentar uma liberdade autêntica e desenvolver uma sociedade justa.[3]
A Sagrada Escritura, em sintonia com a nossa própria experiência, revela o valor profundo da dignidade humana: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes? Fizestes dele quase um ser divino, de honra e glória o coroastes; destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos, tudo submetestes a seus pés» (Sl 8, 4-7).
Perante a sublime realidade da natureza humana, podemos experimentar a mesma admiração expressa pelo salmista. Esta manifesta-se como abertura ao Mistério, como capacidade de interrogar-se profundamente sobre si mesmo e sobre a origem do universo, como íntima ressonância do Amor supremo de Deus, princípio e fim de todas as coisas, de cada pessoa e dos povos.[4] A dignidade transcendente da pessoa é um valor essencial da sabedoria judaico-cristã, mas, graças à razão, pode ser reconhecida por todos. Esta dignidade, entendida como capacidade de transcender a própria materialidade e buscar a verdade, há-de ser reconhecida como um bem universal, indispensável na construção duma sociedade orientada para a realização e a plenitude do homem. O respeito de elementos essenciais da dignidade do homem, tais como o direito à vida e o direito à liberdade religiosa, é uma condição da legitimidade moral de toda a norma social e jurídica.
Liberdade religiosa e respeito recíproco
3. A liberdade religiosa está na origem da liberdade moral. Com efeito, a abertura à verdade e ao bem, a abertura a Deus, radicada na natureza humana, confere plena dignidade a cada um dos seres humanos e é garante do respeito pleno e recíproco entre as pessoas. Por conseguinte, a liberdade religiosa deve ser entendida não só como imunidade da coacção mas também, e antes ainda, como capacidade de organizar as próprias opções segundo a verdade.
Existe uma ligação indivisível entre liberdade e respeito; de facto, «cada homem e cada grupo social estão moralmente obrigados, no exercício dos próprios direitos, a ter em conta os direitos alheios e os seus próprios deveres para com os outros e o bem comum».[5] 
Uma liberdade hostil ou indiferente a Deus acaba por se negar a si mesma e não garante o pleno respeito do outro. Uma vontade, que se crê radicalmente incapaz de procurar a verdade e o bem, não tem outras razões objectivas nem outros motivos para agir senão os impostos pelos seus interesses momentâneos e contingentes, não tem uma «identidade» a preservar e construir através de opções verdadeiramente livres e conscientes. Mas assim não pode reclamar o respeito por parte de outras «vontades», também estas desligadas do próprio ser mais profundo e capazes, por conseguinte, de fazer valer outras «razões» ou mesmo nenhuma «razão». A ilusão de encontrar no relativismo moral a chave para uma pacífica convivência é, na realidade, a origem da divisão e da negação da dignidade dos seres humanos. Por isso se compreende a necessidade de reconhecer uma dupla dimensão na unidade da pessoa humana: a religiosa e a social. A este respeito, é inconcebível que os crentes «tenham de suprimir uma parte de si mesmos – a sua fé – para serem cidadãos activos; nunca deveria ser necessário renegar a Deus, para se poder gozar dos próprios direitos».[6]
A família, escola de liberdade e de paz
4. Se a liberdade religiosa é caminho para a paz, a educação religiosa é estrada privilegiada para habilitar as novas gerações a reconhecerem no outro o seu próprio irmão e a sua própria irmã, com quem caminhar juntos e colaborar para que todos se sintam membros vivos de uma mesma família humana, da qual ninguém deve ser excluído.
A família fundada sobre o matrimónio, expressão de união íntima e de complementaridade entre um homem e uma mulher, insere-se neste contexto como a primeira escola de formação e de crescimento social, cultural, moral e espiritual dos filhos, que deveriam encontrar sempre no pai e na mãe as primeiras testemunhas de uma vida orientada para a busca da verdade e para o amor de Deus. Os próprios pais deveriam ser sempre livres para transmitir, sem constrições e responsavelmente, o próprio património de fé, de valores e de cultura aos filhos. A família, primeira célula da sociedade humana, permanece o âmbito primário de formação para relações harmoniosas a todos os níveis de convivência humana, nacional e internacional. Esta é a estrada que se há-de sapientemente percorrer para a construção de um tecido social robusto e solidário, para preparar os jovens à assunção das próprias responsabilidades na vida, numa sociedade livre, num espírito de compreensão e de paz.
Um património comum
5. Poder-se-ia dizer que, entre os direitos e as liberdades fundamentais radicados na dignidade da pessoa, a liberdade religiosa goza de um estatuto especial. Quando se reconhece a liberdade religiosa, a dignidade da pessoa humana é respeitada na sua raiz e reforça-se a índole e as instituições dos povos. Pelo contrário, quando a liberdade religiosa é negada, quando se tenta impedir de professar a própria religião ou a própria fé e de viver de acordo com elas, ofende-se a dignidade humana e, simultaneamente, acabam ameaçadas a justiça e a paz, que se apoiam sobre a recta ordem social construída à luz da Suma Verdade e do Sumo Bem.
Neste sentido, a liberdade religiosa é também uma aquisição de civilização política e jurídica. Trata-se de um bem essencial: toda a pessoa deve poder exercer livremente o direito de professar e manifestar, individual ou comunitariamente, a própria religião ou a própria fé, tanto em público como privadamente, no ensino, nos costumes, nas publicações, no culto e na observância dos ritos. Não deveria encontrar obstáculos, se quisesse eventualmente aderir a outra religião ou não professar religião alguma. Neste âmbito, revela-se emblemático e é uma referência essencial para os Estados o ordenamento internacional, enquanto não consente alguma derrogação da liberdade religiosa, salvo a legítima exigência da justa ordem pública.[7] Deste modo, o ordenamento internacional reconhece aos direitos de natureza religiosa o mesmo status do direito à vida e à liberdade pessoal, comprovando a sua pertença ao núcleo essencial dos direitos do homem, àqueles direitos universais e naturais que a lei humana não pode jamais negar.
A liberdade religiosa não é património exclusivo dos crentes, mas da família inteira dos povos da terra. É elemento imprescindível de um Estado de direito; não pode ser negada, sem ao mesmo tempo minar todos os direitos e as liberdades fundamentais, pois é a sua síntese e ápice. É «o papel de tornassol para verificar o respeito de todos os outros direitos humanos».[8] Ao mesmo tempo que favorece o exercício das faculdades humanas mais específicas, cria as premissas necessárias para a realização de um desenvolvimento integral, que diz respeito unitariamente à totalidade da pessoa em cada uma das suas dimensões.[9]
A dimensão pública da religião 
6. Embora movendo-se a partir da esfera pessoal, a liberdade religiosa – como qualquer outra liberdade – realiza-se na relação com os outros. Uma liberdade sem relação não é liberdade perfeita. Também a liberdade religiosa não se esgota na dimensão individual, mas realiza-se na própria comunidade e na sociedade, coerentemente com o ser relacional da pessoa e com a natureza pública da religião.
O relacionamento é uma componente decisiva da liberdade religiosa, que impele as comunidades dos crentes a praticarem a solidariedade em prol do bem comum. Cada pessoa permanece única e irrepetível e, ao mesmo tempo, completa-se e realiza-se plenamente nesta dimensão comunitária.
Inegável é a contribuição que as religiões prestam à sociedade. São numerosas as instituições caritativas e culturais que atestam o papel construtivo dos crentes na vida social. Ainda mais importante é a contribuição ética da religião no âmbito político. Tal contribuição não deveria ser marginalizada ou proibida, mas vista como válida ajuda para a promoção do bem comum. Nesta perspectiva, é preciso mencionar a dimensão religiosa da cultura, tecida através dos séculos graças às contribuições sociais e sobretudo éticas da religião. Tal dimensão não constitui de modo algum uma discriminação daqueles que não partilham a sua crença, mas antes reforça a coesão social, a integração e a solidariedade.
Liberdade religiosa, força de liberdade e de civilização:
os perigos da sua instrumentalização
7. A instrumentalização da liberdade religiosa para mascarar interesses ocultos, como por exemplo a subversão da ordem constituída, a apropriação de recursos ou a manutenção do poder por parte de um grupo, pode provocar danos enormes às sociedades. O fanatismo, o fundamentalismo, as práticas contrárias à dignidade humana não se podem jamais justificar, e menos ainda o podem ser se realizadas em nome da religião. A profissão de uma religião não pode ser instrumentalizada, nem imposta pela força. Por isso, é necessário que os Estados e as várias comunidades humanas nunca se esqueçam que a liberdade religiosa é condição para a busca da verdade e que a verdade não se impõe pela violência mas pela «força da própria verdade».[10] Neste sentido, a religião é uma força positiva e propulsora na construção da sociedade civil e política.
Como se pode negar a contribuição das grandes religiões do mundo para o desenvolvimento da civilização? A busca sincera de Deus levou a um respeito maior da dignidade do homem. As comunidades cristãs, com o seu património de valores e princípios, contribuíram imenso para a tomada de consciência das pessoas e dos povos a respeito da sua própria identidade e dignidade, bem como para a conquista de instituições democráticas e para a afirmação dos direitos do homem e seus correlativos deveres.
Também hoje, numa sociedade cada vez mais globalizada, os cristãos são chamados – não só através de um responsável empenhamento civil, económico e político, mas também com o testemunho da própria caridade e fé – a oferecer a sua preciosa contribuição para o árduo e exaltante compromisso em prol da justiça, do desenvolvimento humano integral e do recto ordenamento das realidades humanas. A exclusão da religião da vida pública subtrai a esta um espaço vital que abre para a transcendência. Sem esta experiência primária, revela-se uma tarefa árdua orientar as sociedades para princípios éticos universais e torna-se difícil estabelecer ordenamentos nacionais e internacionais nos quais os direitos e as liberdades fundamentais possam ser plenamente reconhecidos e realizados, como se propõem os objectivos – infelizmente ainda menosprezados ou contestados – da Declaração Universal dos direitos do homem de 1948.
Uma questão de justiça e de civilização:
o fundamentalismo e a hostilidade contra os crentes prejudicam
a laicidade positiva dos Estados
8. A mesma determinação, com que são condenadas todas as formas de fanatismo e de fundamentalismo religioso, deve animar também a oposição a todas as formas de hostilidade contra a religião, que limitam o papel público dos crentes na vida civil e política.
Não se pode esquecer que o fundamentalismo religioso e o laicismo são formas reverberadas e extremas de rejeição do legítimo pluralismo e do princípio de laicidade. De facto, ambas absolutizam uma visão redutiva e parcial da pessoa humana, favorecendo formas, no primeiro caso, de integralismo religioso e, no segundo, de racionalismo. A sociedade, que quer impor ou, ao contrário, negar a religião por meio da violência, é injusta para com a pessoa e para com Deus, mas também para consigo mesma. Deus chama a Si a humanidade através de um desígnio de amor, o qual, ao mesmo tempo que implica a pessoa inteira na sua dimensão natural e espiritual, exige que lhe corresponda em termos de liberdade e de responsabilidade, com todo o coração e com todo o próprio ser, individual e comunitário. Sendo assim, também a sociedade, enquanto expressão da pessoa e do conjunto das suas dimensões constitutivas, deve viver e organizar-se de modo a favorecer a sua abertura à transcendência. Por isso mesmo, as leis e as instituições duma sociedade não podem ser configuradas ignorando a dimensão religiosa dos cidadãos ou de modo que prescindam completamente da mesma; mas devem ser comensuradas – através da obra democrática de cidadãos conscientes da sua alta vocação – ao ser da pessoa, para o poderem favorecer na sua dimensão religiosa. Não sendo esta uma criação do Estado, não pode ser manipulada, antes deve contar com o seu reconhecimento e respeito.
O ordenamento jurídico a todos os níveis, nacional e internacional, quando consente ou tolera o fanatismo religioso ou anti-religioso, falta à sua própria missão, que consiste em tutelar e promover a justiça e o direito de cada um. Tais realidades não podem ser deixadas à mercê do arbítrio do legislador ou da maioria, porque, como já ensinava Cícero, a justiça consiste em algo mais do que um mero acto produtivo da lei e da sua aplicação. A justiça implica reconhecer a cada um a sua dignidade,[11] a qual, sem liberdade religiosa garantida e vivida na sua essência, fica mutilada e ofendida, exposta ao risco de cair sob o predomínio dos ídolos, de bens relativos transformados em absolutos. Tudo isto expõe a sociedade ao risco de totalitarismos políticos e ideológicos, que enfatizam o poder público, ao mesmo tempo que são mortificadas e coarctadas, como se lhe fizessem concorrência, as liberdades de consciência, de pensamento e de religião.
Diálogo entre instituições civis e religiosas
9. O património de princípios e valores expressos por uma religiosidade autêntica é uma riqueza para os povos e respectivas índoles: fala directamente à consciência e à razão dos homens e mulheres, lembra o imperativo da conversão moral, motiva para aperfeiçoar a prática das virtudes e aproximar-se amistosamente um do outro sob o signo da fraternidade, como membros da grande família humana.[12]
No respeito da laicidade positiva das instituições estatais, a dimensão pública da religião deve ser sempre reconhecida. Para isso, um diálogo sadio entre as instituições civis e as religiosas é fundamental para o desenvolvimento integral da pessoa humana e da harmonia da sociedade.  
Viver no amor e na verdade
10. No mundo globalizado, caracterizado por sociedades sempre mais multiétnicas e pluriconfessionais, as grandes religiões podem constituir um factor importante de unidade e paz para a família humana. Com base nas suas próprias convicções religiosas e na busca racional do bem comum, os seus membros são chamados a viver responsavelmente o próprio compromisso num contexto de liberdade religiosa. Nas variadas culturas religiosas, enquanto há que rejeitar tudo aquilo que é contra a dignidade do homem e da mulher, é preciso, ao contrário, valer-se daquilo que resulta positivo para a convivência civil.
O espaço público, que a comunidade internacional torna disponível para as religiões e para a sua proposta de «vida boa», favorece o aparecimento de uma medida compartilhável de verdade e de bem e ainda de um consenso moral, que são fundamentais para uma convivência justa e pacífica. Os líderes das grandes religiões, pela sua função, influência e autoridade nas respectivas comunidades, são os primeiros a ser chamados ao respeito recíproco e ao diálogo.
Os cristãos, por sua vez, são solicitados pela sua própria fé em Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo, a viver como irmãos que se encontram na Igreja e colaboram para a edificação de um mundo, onde as pessoas e os povos «não mais praticarão o mal nem a destruição (...), porque o conhecimento do Senhor encherá a terra, como as águas enchem o leito do mar» (Is 11, 9). 
Diálogo como busca em comum
11. Para a Igreja, o diálogo entre os membros de diversas religiões constitui um instrumento importante para colaborar com todas as comunidades religiosas para o bem comum. A própria Igreja nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. «Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia reflectem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens».[13]
A estrada indicada não é a do relativismo nem do sincretismo religioso. De facto, a Igreja «anuncia, e tem mesmo a obrigação de anunciar incessantemente Cristo, “caminho, verdade e vida” (Jo 14, 6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo mesmo todas as coisas».[14] Todavia isto não exclui o diálogo e a busca comum da verdade em diversos âmbitos vitais, porque, como diz uma expressão usada frequentemente por São Tomás de Aquino, «toda a verdade, independentemente de quem a diga, provém do Espírito Santo».[15]
Em 2011, tem lugar o 25º aniversário da Jornada Mundial de Oração pela Paz, que o Venerável Papa João Paulo II convocou em Assis em 1986. Naquela ocasião, os líderes das grandes religiões do mundo deram testemunho da religião como sendo um factor de união e paz, e não de divisão e conflito. A recordação daquela experiência é motivo de esperança para um futuro onde todos os crentes se sintam e se tornem autenticamente obreiros de justiça e de paz.
Verdade moral na política e na diplomacia
12. A política e a diplomacia deveriam olhar para o património moral e espiritual oferecido pelas grandes religiões do mundo, para reconhecer e afirmar verdades, princípios e valores universais que não podem ser negados sem, com os mesmos, negar-se a dignidade da pessoa humana. Mas, em termos práticos, que significa promover a verdade moral no mundo da política e da diplomacia? Quer dizer agir de maneira responsável com base no conhecimento objectivo e integral dos factos; quer dizer desmantelar ideologias políticas que acabam por suplantar a verdade e a dignidade humana e pretendem promover pseudo-valores com o pretexto da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos; quer dizer favorecer um empenho constante de fundar a lei positiva sobre os princípios da lei natural.[16] Tudo isto é necessário e coerente com o respeito da dignidade e do valor da pessoa humana, sancionado pelos povos da terra na Carta da Organização das Nações Unidas de 1945, que apresenta valores e princípios morais universais de referência para as normas, as instituições, os sistemas de convivência a nível nacional e internacional.
Para além do ódio e do preconceito
13. Não obstante os ensinamentos da história e o compromisso dos Estados, das organizações internacionais a nível mundial e local, das organizações não governamentais e de todos os homens e mulheres de boa vontade que cada dia se empenham pela tutela dos direitos e das liberdades fundamentais, ainda hoje no mundo se registam perseguições, descriminações, actos de violência e de intolerância baseados na religião. De modo particular na Ásia e na África, as principais vítimas são os membros das minorias religiosas, a quem é impedido de professar livremente a própria religião ou mudar para outra, através da intimidação e da violação dos direitos, das liberdades fundamentais e dos bens essenciais, chegando até à privação da liberdade pessoal ou da própria vida.
Temos depois, como já disse, formas mais sofisticadas de hostilidade contra a religião, que nos países ocidentais se exprimem por vezes com a renegação da própria história e dos símbolos religiosos nos quais se reflectem a identidade e a cultura da maioria dos cidadãos. Frequentemente tais formas fomentam o ódio e o preconceito e não são coerentes com uma visão serena e equilibrada do pluralismo e da laicidade das instituições, sem contar que as novas gerações correm o risco de não entrar em contacto com o precioso património espiritual dos seus países.
A defesa da religião passa pela defesa dos direitos e liberdades das comunidades religiosas. Assim, os líderes das grandes religiões do mundo e os responsáveis das nações renovem o compromisso pela promoção e a tutela da liberdade religiosa, em particular pela defesa das minorias religiosas; estas não constituem uma ameaça contra a identidade da maioria, antes, pelo contrário, são uma oportunidade para o diálogo e o mútuo enriquecimento cultural. A sua defesa representa a maneira ideal para consolidar o espírito de benevolência, abertura e reciprocidade com que se há-de tutelar os direitos e as liberdades fundamentais em todas as áreas e regiões do mundo.
Liberdade religiosa no mundo
14. Dirijo-me, por fim, às comunidades cristãs que sofrem perseguições, discriminações, actos de violência e intolerância, particularmente na Ásia, na África, no Médio Oriente e de modo especial na Terra Santa, lugar escolhido e abençoado por Deus. Ao mesmo tempo que lhes renovo a expressão do meu afecto paterno e asseguro a minha oração, peço a todos os responsáveis que intervenham prontamente para pôr fim a toda a violência contra os cristãos que habitam naquelas regiões. Que os discípulos de Cristo não desanimem com as presentes adversidades, porque o testemunho do Evangelho é e será sempre sinal de contradição.
Meditemos no nosso coração as palavras do Senhor Jesus: «Felizes os que choram, porque hão-se ser consolados. (...) Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. (...) Felizes sereis quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentido, vos acusarem de toda a espécie de mal. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos Céus a vossa recompensa» (Mt 5, 4-12). Por isso, renovemos «o compromisso por nós assumido no sentido da indulgência e do perdão – que invocamos de Deus para nós, no “Pai-nosso” – por havermos posto, nós próprios, a condição e a medida da desejada misericórdia: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”(Mt 6, 12)».[17] A violência não se vence com a violência. O nosso grito de dor seja sempre acompanhado pela fé, pela esperança e pelo testemunho do amor de Deus. Faço votos também de que cessem no Ocidente, especialmente na Europa, a hostilidade e os preconceitos contra os cristãos pelo facto de estes pretenderem orientar a própria vida de modo coerente com os valores e os princípios expressos no Evangelho. Mais ainda, que a Europa saiba reconciliar-se com as próprias raízes cristãs, que são fundamentais para compreender o papel que teve, tem e pretende ter na história; saberá assim experimentar justiça, concórdia e paz, cultivando um diálogo sincero com todos os povos.
Liberdade religiosa, caminho para a paz
15. O mundo tem necessidade de Deus; tem necessidade de valores éticos e espirituais, universais e compartilhados, e a religião pode oferecer uma contribuição preciosa na sua busca, para a construção de uma ordem social justa e pacífica a nível nacional e internacional.
A paz é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um projecto a realizar, nunca totalmente cumprido. Uma sociedade reconciliada com Deus está mais perto da paz, que não é simples ausência de guerra, nem mero fruto do predomínio militar ou económico, e menos ainda de astúcias enganadoras ou de hábeis manipulações. Pelo contrário, a paz é o resultado de um processo de purificação e elevação cultural, moral e espiritual de cada pessoa e povo, no qual a dignidade humana é plenamente respeitada. Convido todos aqueles que desejam tornar-se obreiros de paz e sobretudo os jovens a prestarem ouvidos à própria voz interior, para encontrar em Deus a referência estável para a conquista de uma liberdade autêntica, a força inesgotável para orientar o mundo com um espírito novo, capaz de não repetir os erros do passado. Como ensina o Servo de Deus Papa Paulo VI, a cuja sabedoria e clarividência se deve a instituição do Dia Mundial da Paz, «é preciso, antes de mais nada, proporcionar à Paz outras armas, que não aquelas que se destinam a matar e a exterminar a humanidade. São necessárias sobretudo as armas morais, que dão força e prestígio ao direito internacional; aquela arma, em primeiro lugar, da observância dos pactos».[18] A liberdade religiosa é uma autêntica arma da paz, com uma missão histórica e profética. De facto, ela valoriza e faz frutificar as qualidades e potencialidades mais profundas da pessoa humana, capazes de mudar e tornar melhor o mundo; consente alimentar a esperança num futuro de justiça e de paz, mesmo diante das graves injustiças e das misérias materiais e morais. Que todos os homens e as sociedades aos diversos níveis e nos vários ângulos da terra possam brevemente experimentar a liberdade religiosa, caminho para a paz!
Vaticano, 8 de Dezembro de 2010.

BENEDICTUS PP XVI


 

[1] Cf. BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 29.55-57.
[2] Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre a liberdade religiosa Dignitatis humanae, 2.
[3] Cf. BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate,, 78.
[4] Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs Nostra aetate, 1.
[5] CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre a liberdade religiosa Dignitatis humanae, 7.
[7] Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre a liberdade religiosa Dignitatis humanae, 2.
[9] Cf. BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 11.
[10] Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre a liberdade religiosa Dignitatis humanae, 1.
[11] Cf. CÍCERO, De inventione, II, 160.
[12] Cf. BENTO XVI, Discurso aos Representantes de outras Religiões do Reino Unido (17 de Setembro de 2010): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 25/IX/2010), 6-7.
[13] CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs Nostra aetate, 2.
[14] Ibid., 2.
[15] Super evangelium Joannis, I, 3.
[16]Cf. BENTO XVI, Discurso às Autoridades civis e ao Corpo Diplomático em Chipre (5 de Junho de 2010): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 12/VI/2010), 4; COMISSÃO TEOLÓGICA INTERNACIONAL, À procura de uma ética universal: um olhar sobre a lei natural (Cidade do Vaticano 2009).
[17] PAULO VI, Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1976: AAS 67 (1975), 671.
[18] Ibid.: o.c., 668.

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