segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

CARTA DO PAPA FRANCISCO AOS JOVENS

Na carta, Francisco afirma que Jesus dirige seu olhar aos jovens convidando-os para caminhar com Ele. E questiona: “encontrastes este olhar? Ouvistes esta voz? Sentistes este impulso a pôr-vos a caminho?”
Caríssimos jovens!

É-me grato anunciar-vos que em outubro de 2018 se celebrará o Sínodo dos Bispos sobre o tema «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional». Eu quis que vós estivésseis no centro da atenção, porque vos trago no coração. Exatamente hoje é apresentado o Documento preparatório, que confio também a vós como «bússola» ao longo deste caminho.

Vêm-me à mente as palavras que Deus dirigiu a Abraão: «Sai da tua terra, deixa a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te mostrar!» (Gn 12, 1). Hoje estas palavras são dirigidas também a vós: são palavras de um Pai que vos convida a «sair» a fim de vos lançardes em direção de um futuro desconhecido, mas portador de realizações seguras, ao encontro do qual Ele mesmo vos acompanha. Convido-vos a ouvir a voz de Deus que ressoa nos vossos corações através do sopro do Espírito Santo.

Quando Deus disse a Abraão «Sai!», o que é que lhe queria dizer? Certamente, não para fugir dos seus, nem do mundo. O seu foi um convite forte, uma provocação, a fim de que deixasse tudo e partisse para uma nova terra. Qual é para nós hoje esta nova terra, a não ser uma sociedade mais justa e fraterna, à qual vós aspirais profundamente e que desejais construir até às periferias do mundo?

Mas hoje, infelizmente, o «Sai!» adquire inclusive um significado diferente. O da prevaricação, da injustiça e da guerra. Muitos de vós, jovens, estão submetidos à chantagem da violência e são forçados a fugir da sua terra natal. O seu clamor sobe até Deus, como aquele de Israel, escravo da opressão do Faraó (cf. Êx 2, 23).

Desejo recordar-vos também as palavras que certo dia Jesus dirigiu aos discípulos, que lhe perguntavam: «Rabi, onde moras?». Ele respondeu: «Vinde e vede!» (cf. Jo 1, 38-39). Jesus dirige o seu olhar também a vós, convidando-vos a caminhar com Ele. Caríssimos jovens, encontrastes este olhar? Ouvistes esta voz? Sentistes este impulso a pôr-vos a caminho? Estou convicto de que, não obstante a confusão e o atordoamento deem a impressão de reinar no mundo, este apelo continua a ressoar no vosso espírito para o abrir à alegria completa. Isto será possível na medida em que, inclusive através do acompanhamento de guias especializados, souberdes empreender um itinerário de discernimento para descobrir o projeto de Deus na vossa vida. Mesmo quando o vosso caminho estiver marcado pela precariedade e pela queda, Deus rico de misericórdia estende a sua mão para vos erguer.

Na inauguração da última Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, perguntei-vos várias vezes: «As coisas podem mudar?». E juntos, vós gritastes um «Sim!» retumbante. Aquele brado nasce do vosso jovem coração, que não suporta a injustiça e não pode submeter-se à cultura do descartável, nem ceder à globalização da indiferença. Escutai aquele clamor que provém do vosso íntimo! Mesmo quando sentirdes, como o profeta Jeremias, a inexperiência da vossa jovem idade, Deus encoraja-vos a ir para onde Ele vos envia: «Não deves ter [...] porque Eu estarei contigo para te libertar» (cf. Jr 1, 8).

Um mundo melhor constrói-se também graças a vós, ao vosso desejo de mudança e à vossa generosidade. Não tenhais medo de ouvir o Espírito que vos sugere escolhas audazes, não hesiteis quando a consciência vos pedir que arrisqueis para seguir o Mestre. Também a Igreja deseja colocar-se à escuta da vossa voz, da vossa sensibilidade, da vossa fé; até das vossas dúvidas e das vossas críticas. Fazei ouvir o vosso grito, deixai-o ressoar nas comunidades e fazei-o chegar aos pastores. São Bento recomendava aos abades que, antes de cada decisão importante, consultassem também os jovens porque «muitas vezes é exatamente ao mais jovem que o Senhor revela a melhor solução» (Regra de São Bento III, 3).

Assim, inclusive através do caminho deste Sínodo, eu e os meus irmãos Bispos queremos, ainda mais, «contribuir para a vossa alegria» (2 Cor 1, 24). Confio-vos a Maria de Nazaré, uma jovem como vós, à qual Deus dirigiu o seu olhar amoroso, a fim de que vos tome pela mão e vos guie para a alegria de um «Eis-me!» pleno e generoso (cf. Lc 1, 38).

Com afeto paterno, FRANCISCO

Vaticano, 13 de janeiro de 2017.

domingo, 22 de janeiro de 2017

fotos

Assembleia Provincial das Irmãs Missionárias Combonianas em Vitoria -ES, de 8 a 15 de janeiro 2017












Irmãs Combonianas celebram jubileu

Finalizada nossa Assembleia Provincial, que foi realizada dos dias 08 ao 15 de janeiro de 2017, tivemos a alegria de celebrar o jubileu de ouro da vida consagrada a Deus para a missão das irmãs Catarina Pratissoli  e  Paula Camata e o jubileu de diamante das irmãs  Rita Saccol e Ir. Silvia Piantoni. 
Durante a celebração eucarística elas fizeram memória da passagem de Deus no chamado missionário e em tantos acontecimentos marcantes da vida, aqui no Brasil e também no Moçambique. 


Ir. Rita e Ir. Silvia, de naturalidade italiana, estavam entre as primeiras irmãs combonianas que vieram para o Brasil, e doaram a própria vida aos mais pobres em várias comunidades do país: como queria Comboni, para “fazer causa comum”. Ir. Catarina e Ir. Paula, brasileiras, lembraram dos anos em missão no Moçambique, e sublinharam a centralidade da Palavra de Deus, que foi força e sustento em todos os momentos. 

O avental e o anel de tucum evocaram a atitude de serviço e a opção preferencial pelos mais pobres, a exemplo de Cristo, que veio “para servir e não para ser servido” (Mc 10,45)


Os sorrisos e a tonalidade da voz expressavam a alegria de uma vida doada para a missão, e a gratidão pela fidelidade de Deus que as acompanhou ao longo de todos estes anos.




domingo, 6 de novembro de 2016

MISSIONÁRIAS E MISSIONÁRIOS COMBONIANOS EM SAÍDA


Ir. Almerita Ramos e Ir. Caterina Ingelido


Nos dias 14 a 23 de outubro realizamos,  à  convite do pe.  Zulian, uma semana  de animação missionária na Diocese de Colatina, paróquia N Senhora da Penha,  Honório Fraga  - ES .
Foram dias marcados pela alegria, entusiasmo e muita participação  de todas as comunidades. Foi também uma semana de visitas e de proximidade, com uma  atenção particular  aos doentes e idosos de toda a paróquia.
Podemos afirmar  com alegria e esperança que esta semana, nos permitiu viver e concretizar a mística do encontro, dando e recebendo.
Foi linda também a experiência como família comboniana, de fato participamos em cinco: duas irmãs: Almerita e Caterina, um irmão: João Paulo e dois padres: Sávio e Pablo.
No fim do dia, partilhávamos o que tínhamos vivido e sempre constatávamos que Deus nos tinha falado próprio por meio de tudo e de todos. Obrigado Senhor porque sair de si sempre traz alegria, alimenta a nossa fé e amplia os nossos conhecimentos.
Valeu a pena!!!!.


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Celebrando Comboni




Ir. Geny Maria da Silva

Celebramos neste mês de outubro, mês missionário, a festa de São Daniel Comboni, um dos maiores missionários da Igreja, o Apóstolo da África, como  o proclamou o papa são João Paulo II, por ocasião da canonização em 05 de outubro de 2003.
A vida e a atividade missionária de São Daniel Comboni pertencem ao século XIX, um período muito conturbado para a África particularmente devido a tragédia do tráfico humano. Milhões de jovens africanos foram arrancados de seus lares e deportados para a Europa e para as Américas,  
Cada momento histórico, em situações de sofrimentos e opressões, Deus envia homens e mulheres em missão; para serem manifestação de seu Amor. A missão que é de Deus; nasce do movimento do coração, da sua grande misericórdia.  “Eu vi, eu vi a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Sim, eu conheço seus sofrimentos.
E desci para livrá-lo da mão dos egípcios...(Ex3, 7-8)
“A encarnação do Filho de Deus é a maior prova de amor misericordioso da Trindade que vem nos libertar. Não somente se debruça sobre nossa miséria, mas se faz um de nós, compartilhando em tudo, de nossa condição humana, menos o pecado”. 
Desta experiência de misericórdia da Trindade nasce  a vocação e Missão de Comboni, o missionário da África.  
São Daniel Comboni entrou em contato com toda a miséria do povo africano, no Sudão...Ele viu, ouviu, conheceu...depois desta experiência não pode ficar acomodado... sua misericórdia o levou a se solidarizar com aqueles povos. 
Seu amor pela África era profundo, um amor visceral que o motivou a doar toda sua vida pelos africanos. Lemos em seus escritos: “A deplorável miséria dos pobres negros pesa imensamente em meu coração e não há sacrifício que eu não me sinta disponível aceitar pelo seu bem”.
“A misericórdia é, antes de mais nada, a proximidade de Deus ao seu povo, através de seu enviado”. (Papa Francisco)
Como Bom samaritano, ele se fez próximo, da África semi-morta, vê suas misérias, seus sofrimentos. vai, desce, se aproxima, para curar, anunciar a Boa nova...com a certeza de que somente a presença salvífica de Cristo pode libertar os africanos.
Comboni, a partir do primeiro contato com a África viveu somente para ela. Foi incansável no combate da escravidão, animando a Igreja na Europa para envolvê-la na sua paixão por ela e no seu plano de libertação dos africanos.
 Tendo sido canonizado ele se torna modelo para toda a Igreja, de discípulo missionário, com este coração misericordioso, apaixonado pelos mais pobres e abandonados.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

PRIMEIRA SEMANA DO XX CAPÍTULO GERAL DAS IRMÃS MISSIONÁRIAS COMBONIANAS

No início desta primeira semana de trabalhos capitulares, iniciamos com o primeiro passo a ser realizado com o desejo de viver este evento à luz do tema capitular: “Ousar a mística do encontro para a missão comboniana hoje”.
Começamos os trabalhos capitulares com uma reflexão como viver estes dias a serviço de toda a congregação, além da nossa circunscrição de origem, além do nosso serviço específico, colocando-nos à escuta do caminho que vivemos no interior da Igreja, do mundo e da criação.
Fazemos parte de um corpo congregacional que interage continuamente com tantos povos, com o mundo, no interior do movimento de uma Igreja que nos convida à sair, à ousar, à mover-nos.
Ser parte de um corpo congregacional nos levou a desejar uma escuta generativa das diversas relações dos GIP’s, da Direção Geral, do Economato Geral e da Comissão pré capitular. Nestes dias intensos de escuta, procuramos ler com o pensamento, com o coração e com a vontade o caminho percorrido nestes anos. Uma escuta, onde estamos presentes conosco mesmas, deixando-nos interrogar pela nossa história congregacional destes seis anos, deixando-nos tocar no profundo dos acontecimentos que nos acompanharam.
A apresentação da comissão pré capitular nos iluminou sobre o que nos une e que foi expresso de modo forte nas nossas experiencias de encontro. Experiencias que falam, antes de tudo, de nós, do nosso desejo de sair, de encontrar o  outro/outra na sua diversidade.
As experiencias de encontro são um tesouro que nos pertence e que sublinha a importancia de evangelizar como comunidade, que confirma o chamado a ser pontes entre os p
ovos, que sublinha a acolhida e o sofrimento fecundo manifestado na vida dos pobres, que nos convida a ser, superando a lógica do querer fazer ou do querer dar.
A relação da Direção Geral ampliou a nossa visão, apresentando-nos o caminho do sessênio vivido, prestando atenção em colocar em ato aqueles processos que nos permitiram de aprofundar a nossa ministerialidade, à luz da nossa história carismática e o nosso viver juntas.
Na relação da Direção Geral, fomos convidadas à alargar o olhar porque o horizonte se move, se alarga e que vem expresso com a imagem do Cristo na Cruz com os braços abertos, que atira a si toda a humanidade.
Este olhar verso o horizonte se torna encontro que se faz paradigma para a vida consagrada missionária (cfr. EG n. 87) e se alarga aos desafios que nos tocam profundamente: o chamado à uma vida sempre mais contemplativa que interpela a coragem e a capacidade de nos encontrar com Deus e conosco mesmas para tecer relações maduras, também na comunidade, reinventando o nosso modo de estar juntas para a missão, através de uma ministerialidade sempre mais partilhada, para que possamos sustentar umas as outras, possamos sustentar a missão e nos abrir aos desafios de uma sustentabilidade economica para a vida e o crescimento do nosso futuro através de atitudes e ações sempre mais transparentes e partilhadas.
Comissão Comunicação

terça-feira, 23 de agosto de 2016

A minha vocação

Eluziane Araújo
Postulante Comboniana
Uma palavra do evangelho que é forte em minha vida é a citação de Mt 5,16 Assim, brilhe vossa luz diante dos homens para que vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus. Se revela aqui nesta passagem um jeito de ser, uma forma de doar a vida, fazer o bem, ter gratidão e amar os irmãos e irmãs. No tempo em que estava na universidade participei de uma palestra sobre tráfico de pessoas na Rede um grito pela vida e conheci Ir. Gabriella Bottani, Missionária Comboniana. Me interessei em fazer parte desta rede e fui abrindo meu coração para esta realidade em favor do bem e defesa da vida principalmente daqueles e daquelas que sofrem violências e exploração.
Ao passar um ano senti que devia viver algo mais, me doar de um jeito diferente e fiz um ano de orientação vocacional com Ir. Elisabete Imperial. Em cada encontro, cada realidade que vi me encantou os olhos. Um chamado de Deus que se revelou nos acontecimentos, nos momentos simples de visita, em uma conversa com as pessoas, nas novas realidades que conheci nas comunidades ribeirinhas, nas visitas missionárias, nos encontros da rede, no cotidiano da vida. Foi este ano em 2016 que se iniciou os primeiros passos para responder este chamado, sai de Porto Velho – RO para entrar na casa de formação do postulantado das Irmãs Missionárias Combonianas em Belo Horizonte – MG, no dia 28 de abril depois do domingo de Páscoa passei para este tempo de graça e alegria. Junto com a comunidade partilhamos a vida, as descobertas e desafios do cotidiano. O que me chamou atenção no carisma das irmãs (IMC) foi o cuidado com a vida e a liberdade das pessoas, a forma de ser acolhedoras, de dialogar e ir ao encontro de quem mais precisa. Me sinto feliz por desejar e dar início a esse caminho, por almejar a vida consagrada e digo que é muito bom abrir o coração a vontade de Deus e dizer sim a vocação de ser uma Missionária Comboniana.



Por onde formos Senhor, que brilhe a Tua Luz...

Ir. Geny Maria da Silva

Neste mês de agosto somos convidadas a refletir e rezar em especial pelas vocações. E bem no início do mês celebramos a Transfiguração do Senhor. E é a partir da contemplação do Transfigurado que podemos compreender e assumir nossa vocação como discípulos-missionários. 
Jesus chama a si e leva a um monte seus discípulos e lá ele é transfigurado Seu rosto fica mais brilhante que o sol e toda a gloria de Deus nos é revelada.  Na sua transfiguração vislumbramos   o mais belo dos filhos dos homens, a plenitude da criação, o humano mais pleno de graça e encanto se desvela aos nossos olhos, E contemplamos a sua filiação divina, Ele é o Verbo de Deus feito carne.  No rosto de Jesus Deus se revela o sumo bem, a beleza eterna, a bondade infinita. É a sua misericórdia que vem abraçar cada criatura, comunicando Seu projeto de Amor que restaura a Aliança que Ele quis fazer com toda humanidade.
No Filho Amado Deus faz um apelo, um convite, para que o escutemos. Escutar sua voz nos pede uma resposta – compromisso a segui-lo nos caminhos do mundo. É sempre o mesmo Senhor transfigurado que os discípulos seguem pela Galileia, pela Judeia, até chegar a Jerusalém onde foi crucificado.  Ele que passou fazendo o bem, levantando os caídos, perdoando, tocando e falando a cada coração humano, proclamando a boa notícia do Reino de Deus, se entrega totalmente até as últimas consequências, assumindo o martírio. Na Cruz podemos experimentar onde chega o Amor de Deus, Ele nos deu tudo.   Ali  Jesus se faz um desfigurado  solidário até o fim com tantos desfigurados, dando sua vida em resgate pela multidão de irmãos.  Nele somos filhos e filhas muito amados de Deus.
Por isto nossa reposta não pode ser tímida, precisamos enfrentar todos os desafios, vencer os obstáculos para seguir o Mestre Jesus que quer contar conosco para proclamar e testemunhar o Reino de Deus, pelo qual deu a vida.
Concluo com as palavras tão  profundas e incisivas do papa Francisco dirigida aos jovens,  na vigília da jornada mundial da juventude, na Cracóvia: “ Para seguir a Jesus, é preciso ter uma boa dose de coragem, é preciso decidir-se a trocar o sofá por um par de sapatos que te ajudem a caminhar por estradas nunca sonhadas e nem mesmo pensadas, por estradas que podem abrir novos horizontes, capazes de contagiar-te a alegria, aquela alegria que nasce do amor de Deus, a alegria que deixa no teu coração cada gesto, cada atitude de misericórdia. Caminhar pelas estradas seguindo a “loucura” do nosso Deus, que nos ensina a encontrá-Lo no faminto, no sedento, no maltrapilho, no doente, no amigo em maus lençóis, no encarcerado, no refugiado e migrante, no vizinho que vive só.
Hoje, Jesus, que é o caminho, chama-te a deixar a tua marca na história. Ele, que é a vida, convida-te a deixar uma marca que encha de vida a tua história e a de muitos outros. Ele, que é a verdade, convida-te a deixar as estradas da separação, da divisão, do sem-sentido. Aceitais? Que respondem as vossas mãos e os vossos pés ao Senhor, que é caminho, verdade e vida?”
Vamos nos deixar questionar e dar uma resposta. Ele conta conosco sempre. 



domingo, 31 de julho de 2016

Tempo de facebook, sede de heartbook

Ir. Chiara Dusi

Facebook, o livro dos rostos, chegou em pouco tempo a fazer parte do cotidiano de jovens e menos jovens. Com menor ou maior intensidade, todo mundo posta fotos, estados de ânimo, vez ou outra alguma noticia ou artigo que achou interessante...e aí vamos revelando alguma coisa de nós e do nosso mundo, e controlando, através das curtidas, o índice de popularidade social...em fim, no face vamos produzindo a nossa imagem, e monitorando ao mesmo tempo a imagem dos outros.
Mas é mesmo neste hoje que sentimos tanta sede de abrir um outro tipo de livro, como sugeriu, com um jogo de palavras interessante, a ir Annette Havenne, assessora da CRB (conferencia dos religiosos do Brasil): este é o heartbook,  o livro dos corações. Colocar-nos na escuta do nosso próprio coração, os nossos sonhos e desejos mais profundos, para saber escutar também os corações de tantos e tantas, sobretudo da humanidade mais  ferida e humilhada, excluída e oprimida.
É para essa humanidade que Jesus se entregou de corpo e de alma.  É para o bem dessa humanidade que Ele continua a fazer o seu chamado, para partilhar conosco sua missão: “Vem e segue-me. [...] te farei pescador de homens”  A vida religiosa nasce da escuta dos gritos dos oprimidos, e continua tendo sabor e encanto quando ela se lembra de onde nasceu e é fiel à missão de Jesus, que ama de maneira especial os pobres e quem se encontra à beira do caminho.
Não tenhamos medo de perder tempo, escutando o que habita no mais profundo de nós e de cada pessoa. Aí é que o próprio Deus se revela, no fundo do nosso coração e dos nossos irmãos e irmãs, e nos convida a ficar com Ele.
De fato, ainda não passou de moda aquela feliz expressão da constituição Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II: ”As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração.”


quinta-feira, 28 de julho de 2016

SEGUINDO AS PEGADAS DE JOSI... MISSÃO DO INSTITUTO DANIEL COMBONI NA FAZENDA DA JUTA-SP.

Ir. Graça Campostrini e Crécia Ferreira
Ser Josi, hoje...
O Instituto Daniel Comboni, vem de uma longa caminhada sempre ao lado das Irmãs Missionárias Combonianas, essa jornada iniciou-se no ano de 1985, o país ainda vivia  sob o regime da  ditadura, mas as ações das irmãs junto ao povo era pela  busca da  libertação dos jugos políticos e pela busca da justiça social. Foram muitos os aprendizados...Eis que no ano de 2014, as Irmãs cumprindo o lema de Daniel Comboni de Salvar a Africa  com a Africa e o Brasil com o Brasil, elas partiram deixando-nos esse legado e essa inspiração agora atualizada em nosso território e chão de missão Salvar  a Juta  com a Juta. Na perspectiva de manter-nos  conectados  com esse ideal, iniciamos o ano de 2016 fazendo um dia de formação junto á Caritas Arquidiocesana de São Paulo para identificar  nossa missão. Tomamos como inspiração a determinação e vocação da jovem Josi, a primeira menina humilde a ouvir a voz e seguir o chamado de Comboni para se engajar na causa e na luta pela libertação e pela justiça social entre os povos africanos. Sua disponibilidade por dedicar e disponibilizar seu  talento de saber apenas fazer um “mingau”, nos trouxe grande motivação e  inspiração. Diante desse forte desejo em  conhecer melhor essa menina destemida, solicitamos a presença de uma Irmã Comboniana para que pudéssemos especificamente aprofundarmos  nossos conhecimentos  sobre sua trajetória de vida e testemunho de fé e de coragem. Eis que chegou o esperado dia, trinta de junho! A Irmã  Vera por  motivo de saúde em família, não pode comparecer. Mas  Josi nos ajudou! 
A Irmã Maria Grazia Compostrini se dispôs a estar conosco e partilhar seus conhecimentos. Josi continua nos ajudando, na véspera do encontro a Irmã Mariarosa Venturelli da Itália enviou-nos fartos materiais, com a história de Josi completa! Relatos sofridos, mas maravilhosos de quem se deixa guiar pela graça de Deus.  Logo pela manhã, todos nós chegamos à nova Sede do Instituto Daniel Comboni, pela primeira vez vamos nos reunir nesse espaço pensado e construído com carinho e muita solidariedade, para abrigar todos os nossos planos e projetos que a missão nos traz como desafios... Vivendo desde o início  o espírito da comunhão e da partilha, tivemos uma  linda roda multicores em que tomamos nosso café da manhã feito em mutirão...Cada Unidade do Instituto contribuiu com um item de alimento, inclusive com um cuscuz  gigante feito pela equipe do Centro de Juventude Dom Luciano Mendes de Almeida ... pode ser a versão atual do “mingau” de Josi.
Em seguida iniciamos silenciando o nosso coração e continuamos com a reflexão sobre o “Dom Supremo, o Amor” motivação para introduzir a história de Josi. 
Após a apresentação da nossa protagonista em dois momentos: 1 - “A Serva de Deus Maria Josefa Scandola”: Um dia de memoria comboniana.  2- “A Serva de Deus Maria Josefa Scandola”: Mulher santa e capaz, misitca e profética. propusemos uma partilha em grupos.
Os nossos educadores ressaltaram aspectos importantes relacionando a pratica deles, na fazenda da Juta com a experiência da Josi. Ficamos felizes porque muitos passaram a se intitular Josi. Frisaram a capacidade de perdão, de acolhida de  todos, particularmente os pequenos, proporcionando o conforto e a cura do padre para continuar a missão de Comboni. Seu testemunho de caridade, fé e humildade permitindo-nos saber que Deus capacita os escolhidos. 
Concluindo a exposição vimos juntos as imagens da cerimonia na qual foi apresentado  “O Decreto De Venerabilidade” em Verona na Casa Madre das Irmãs Combonianas em 25 de maio de 2015.
A este ponto a Crecia, coordenadora geral do Instituto Daniel Comboni, ponderou o quanto foi precioso este momento de reflexão para atualizar a nossa missão em conexão com os ideais de Comboni através da Josi chegam até a nós pela luta por cidadania e justiça social. Lembrando ainda que as Irmãs Combonianas que estiveram aqui no Instituto seguiram as mesmas pegadas de Josi e nos deixaram bonitos testemunhos.
Foram mencionadas e apresentadas as fotografias de cada uma delas especialmente aquelas que coordenaram o Instituto, Irmãs Rita, Cândida, Tiberh e Caterina, todas lembradas com estima, admiração e muita emoção.
Concluímos com a oração, pedindo que ir. Josi  “Descanse em Deus” com frases bíblicas de amor, carinho  e conforto.
Encerramos com um delicioso almoço de confraternização ao ar livre no pátio interno di Instituto Daneil Comboni.