O MEDO É SINAL QUE NÃO NOS DEIXAMOS GUIAR PELO ESPÍRITO

Ir. Giusy Lupo

Estava lendo uma entrevista do Papa Francisco ao jornal argentino La Nación, e respondendo a uma pergunta sobre os “ultraconservadores da Igreja”, o Papa afirmou: “Eles fazem seu trabalho e eu, o meu. Eu desejo uma Igreja aberta, compreensiva, que acompanhe as famílias feridas. Eles dizem não a tudo. Eu continuo firme pela minha estrada, sem olhar para os lados. Não corto cabeças. Nunca gostei de fazer isso. Rejeito o conflito.” 

Me dá muita tristeza escutar e ver que na Igreja, depois do caminho feito com os últimos Papas e o testemunho de gestos concretos do Papa Francisco nestes poucos anos, para não dizer nestes poucos  dias (afirmações sobre o matrimonio, a renúncia da Igreja a exigir taxas para os sacramentos, etc) ainda estamos em conflito entre conservadores e liberais. Como é possível que sejamos assim cegos para não entender que a Igreja e o Reino de Deus se constroem na simplicidade, na partilha, na acolhida, no perdão e na compreensão. 

E voltam na mente as palavras de trinta anos atrás de Carlo Carreto que me parecem assim atuais...

“Eu sinto pena pelo medo da Igreja, porque é o sinal triste da nossa falta de fé ... O medo das novidades e da dificuldade de ver as coisas de uma maneira diferente do que foi visto no passado, faz com que os responsáveis se preocupem só por uma defesa cega de um passado fechado nas formas, em vez de fazê-los defensores firmes de um Evangelho sempre novo em seu conteúdo.
O medo da desobediência ... de aqueles que estão abaixo; faz cometer aos superiores pecados de abuso de poder muito mais prejudicial para a comunidade que de homens livres, dos quais é formada a Igreja e não só a Igreja. 
O medo dos seminários e dos noviciados vazios paralisa a imaginação das cúrias e das congregações e deixa ver a incapacidade de crer que Deus não falta nem de força para dar-nos os pastores, nem de imaginação para mudá-los. 
O medo de ver diminuído o número de pessoas que frequentam o templo faz o efeito para alguns, que é inútil insistir em orar porque Deus não existe mais sob as abóbadas das catedrais; para outros da um empurrão para voltar no passado, quando a missa era em latim e a possibilidade de receber a Eucaristia nas mãos teria despertado escândalo. Mas onde o medo atingiu seu clímax é na falta das seguranças: seguranças sociológica, política, cultural, institucional...Então  as famílias se desintegram, os mosteiros são abandonados e uma comunidade que antes era próspera sai sem força e luz.
A Noiva não tem que ter medo. O medo é o sinal de sua pouca fé e a falta de confiança nele, que é o Deus do impossível. Eu sei que não é fácil, especialmente para aqueles acostumados a sua própria segurança, e para a Igreja de ontem as seguranças foram muitas. ... É a história de Israel que volta: o êxodo, o deserto, a insegurança.

Como poderia eu abandonar-te, ó Efraim, ou trair-te, ó Israel? 
Meu coração se revolve dentro de mim, 
eu me comovo de compaixão
porque sou Deus e não um homem, 
sou o Santo no meio de ti, e não gosto de destruir.
(Os 11,8-9)

Se Deus é o meu Deus, eu não tenho medo algum.
E se fechar um seminário não vou duvidar que me vai faltar um padre para celebrar a Eucaristia.
Se vender o Vaticano não vou tremer, pensando que tudo acabou, e que Deus é ganho pelo mal. Não. ... eu prefiro cantar com Oseias as mesmas palavras de esperança.
É a verdadeira esperança, que não foi fundada no otimismo do ser humano, mas nascida pela minha contradição e da minha fraqueza, das contradições e fraquezas da Igreja 
Tenho a esperança que não de baseia na minha própria força ou nas forças organizadas da Igreja, mas somente no Deus vivo, no Seu amor pela humanidade, e na Sua ação na história, na Sua vontade salvadora.
Tenho a esperança no Deus que ressuscitou a Cristo dentre os mortos e quem tem o poder de fazer novas todas as coisas.
(C. Carretto - Padre mio mi abbandono a te)

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